Tuesday, March 19, 2013

Diamante

Imponente, o Gigante de Diamante caminha de cabeça erguida pelo deserto. Com passos lentos, porém seguros e firmes, percorre grandes distâncias sem muito esforço e não encontra obstáculos à sua magnânimidade. Vence dunas, o vento cruel e as areias que açoitam sem sucesso sua valiosa superfície cristalina. Invencível como a própia Morte, não tem nada a temer.

Sua caminhada inexorável o leva a plagas ainda desconhecidas, porém sua constituição de carbono submetido a milhões de anos de pressão e calor não permite que ataques lhe firam e que inimigos derrubem-no. Acontece que, embora seja capaz de transpôr tudo que surja em seu caminho, o Gigante não tem um senso de direção muito apurado e por isso tende a se perder. Depois de tomar alguns caminhos errados e percorre-los por quase toda sua extensão (maldito corpo indestrutível!), o Gigante nota que pegou o lado errado duma bifurcação e tenta voltar atrás. Esta pedra preciosa humanóide, agora um destrambelhado colosso, desequilibra-se e cai. Esse é o resultado de, mesmo vagarosamente, sempre caminhar em frente: qualquer tropeço ou mudança de rumo vira uma batalha. 

O gigante não desmorona, apenas se apoia sobre um dos joelhos, mas na queda algumas de suas arestas e quinas tocam o corpo. O diamante, como se sabe, é cortado apenas pelo próprio diamante e assim alguns cortes viram trincas, que por sua vez tornam-se rachaduras, rompidas pelo impacto com o chão. Pedaços de diamente despencam do corpo e o Gigante se levanta. Observa suas próprias mãos, pernas e tronco: tudo que restou agora é uma frágil e pálida pele. Antes absolutamente certo de que era feito de material resistente, o agora Gigante de Carne percebe que nunca foi todo indestrutível, mas que apenas tinha uma armadura que apenas ele poderia destruir.


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