Wednesday, April 3, 2013

Gancho

Jab. Jab. Jab e direto. Jab. O treino é apenas uma "sombra", simulação de luta em que não há realmente aplicação dos golpes: os lutadores trocam golpes duma distância segura e não se atingem, no máximo desviam socos do adversário com alguma defesa. Há, no entanto, aqueles com pouco juízo. Estes não lutam de longe, não aplicam golpes corretamente e por isso é mais difícil fazer uma esquiva ou defesa e, principalmente, arriscam a face do oponente com golpes rentes e velozes.

Como se esse individualismo não fosse motivo suficiente para inflamar qualquer ímpeto de agressão, há também a postura incorreta. A guarda completamente aberta e mal armada implora para que uma revoada de socos pouse sobre a cara do vivente. Os jabs saem sem rumo e com a mão incorretamente posicionada. E há a boca. A boca aberta como a de um bovino ou de um incapaz em estado vegetativo. Às vezes suspeito de que um fio de baba pode escorrer a qualquer instante daquela boca.

Mas resisto. Sinto que é beira a obrigação dum dever aplicar um potente gancho e fechar com a força dum canhão de Navarone aquele canal de ar. Dentes seriam cuspidos junto com um fluxo de sangue e o boxeador anti-ético provavelmente tombaria nocauteado. Eu seria execrado e expulso da turma, talvez até seria deletado do Facebook de alguns amigos, mas ninguém tiraria de mim esse ganho.

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